Viver no interior não é uma fatalidade
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| Como o Fundão pode ser inspirador para Penacova |
Quando olhamos para o trabalho dos executivos autárquicos, dos últimos trinta anos, encontramos uma linha comum, a ausência de um modelo de desenvolvimento. É claro que, as políticas dos governos centrais também contribuíram, e muito, para o fosso que, cada vez mais, separa o litoral do interior. As consequências dos trágicos incêndios do ano passado reavivaram a discussão em volta das assimetrias regionais, mas não acredito que, apesar da boa vontade dos políticos, haja mudanças visíveis nos próximos anos.
Voltando a Penacova, os anos dourados dos fundos europeus não foram, julgo eu, devidamente aproveitados. Deixámos escapar, entre os dedos, milhões de euros que poderiam ter sido canalizados para projetos diferenciadores nas áreas do turismo, floresta, tecido empresarial e, somatório de todas elas, na criação de emprego.
Mas, como digo no título deste texto, viver no interior não é uma fatalidade! E a maior prova disso, é o exemplo que chega do Fundão. Recorrendo a fundos comunitários (2,4 milhões de euros), a câmara local transformou um pavilhão multiusos num Centro de Negócios e Serviços Partilhados. Em quatro anos, este projeto atraiu catorze empresas das tecnologias da informação e criou mais de quinhentos postos de trabalho qualificado. Em paralelo, a autarquia criou uma incubadora de empresas e apostou na conversão de desempregados em programadores informáticos.
"A comparticipação da autarquia para erguer este Centro de Negócios foi de trezentos mil euros", afirmou Paulo Fernandes, presidente da câmara do Fundão.
A atração de mão de obra qualificada trouxe mais habitantes e a necessidade de reabilitar o parque habitacional. Segundo a câmara do Fundão, desde 2013 foram recuperados cento e cinquenta fogos e estão mais cem em obra.
Este projeto do Fundão valeu-lhe recentemente a atribuição, pela Comissão Europeia, do prémio "RegioStars 2018".
Esta aposta estratégica, bem sucedida, nas novas tecnologias faz-me acreditar que num município do interior, dos chamados territórios de baixa densidade, é possível encontrar caminhos vencedores.

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